sábado, 10 de setembro de 2011

AMANTES PARA SEMPRE


Não deixe que o doméstico faça a sua relação cair na rotina, fique alerta!

Falta de erotismo, a monotonia e a domesticidade acometem os casais que acham que não há necessidade mais do namoro, de conquista e de novidade no relacionamento.

Segundo Sylvia Faria Marzano, terapeuta de família, casais e sexual  , a maioria das pessoas que chega no consultório se queixando de alguma disfunção sexual ou inadequação do casal, se surpreendem quando o assunto é encontrar novidades que possam apimentar a relação. “Geralmente, as pessoas pensam que a conquista já foi feita, quando o relacionamento parece estar estável. Vários casais acham que seduzir dá muito trabalho, um trabalho que eles não deveriam ter, já que já estão juntos. Outros já acham que a intimidade significa total transparência entre as partes. A surpresa da sedução é importante todos os dias.”

A terapeuta ensina que o erotismo gosta do imprevisível. “O desejo entra em conflito com o hábito e a repetição. É indisciplinado, e desafia nossas tentativas de controle”.  E aconselha que o casal não se iluda com a sensação confortável de se valorizar o previsível, achando que o melhor da vida a dois é conhecer tudo um sobre o outro, de tudo o que o outro gosta. “As pessoas mudam com o passar dos anos. E para que a relação permaneça saudável, o ideal é acompanhar essas mudanças, sondar o que ainda há de mistério em seu par. Assim o prazer da conquista será eterno”.

Alguns conselhos práticos cercam a surpresa e o inusitado como divertida tentativa de se resgatar os tempos de paquera. “Quando um homem quer muito uma mulher, se interessa por ela, tenta fazer parte do mundo dela, auxiliando nos pontos frágeis. A mulher por sua vez aposta mais no visual, porque isso também a deixa mais segura para exercer a sedução necessária para capturar a atenção masculina desejada”.

A vida doméstica, e nem precisa morar junto para isso,  nem sempre valoriza esse clima de sensualidade, mas o casal pode utilizar o próprio cotidiano a seu favor: o homem pode ajudá-la nas tarefas domésticas insinuando em cada pequena ação sua virilidade comparada à relação sexual. Nada mais sexy do que um homem na cozinha e de avental.

Outra dica é namorar bastante. Com o tempo os beijos encurtam porque ficam mais reservados à relação sexual (parece um sinalizador da hora do sexo), que por sua vez fica cada vez mais rápida pela desculpa de falta de tempo e cansaço físico. Vale aqui o conselho do sexo tântrico de valorizar todas as preliminares antes dos processos de estímulos corporais, como mandar torpedos insinuantes, um convite para um jantar, ou uma viagem a dois, beijos longos, abraços e “amassos” demorados, em qualquer ocasião do dia e em qualquer situação, e que nem sempre sejam para levar à cama. O segredo é deixar sempre uma lenha aquecida no forno, e para isso é preciso colocar a madeira antes que a outra acabe com a chama, senão, rapidamente perde o calor!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

EJACULAÇÃO PRECOCE - considerações

     A Ejaculação Precoce (EP) afeta cerca de 30% dos homens de 20 ou mais, com vida sexual ativa. De acordo com 21 profissionais, inclusive urologistas, da Sociedade Internacional de Medicina Sexual (ISSM), a EP ocorre quando, na maioria de seus encontros amorosos, o homem ejacula em, no máximo um minuto depois do início da relação sexual. 
    A grande maioria dos terapeutas sexuais acha que não dá para quantificar o tempo que ocorre a ejaculação como rápida ou não, pois isso depende muito da parceria, da interação e equilíbrio do casal em sua vida sexual. Podemos ter uma queixa de EP em um casal onde a parceira demora um pouco a chegar ao clímax, e que nesse casal não exista a possibilidade de preparar a parceria para se excitar, e o homem pode achar que ejacula rápido, pois antes dela!
    De acordo com o Dr. Luiz Otávio Torres, nobre colega urologista: “Até há pouco tempo atrás, acreditava-se que a disfunção decorria, sobretudo de problemas psicológicos relacionados à ansiedade”. Em nossa opinião, o paciente ainda necessita de uma psicoterapia breve, principalmente comportamental, às vezes necessitando do uso de um antidepressivo com o intuito de aliviá-lo um pouco da ansiedade, para que considerar que seu tratamento depende muito de como ele consiga entender a dinâmica de seu dia-a-dia, e de que os efeitos externos de sua vida interferem muito em seu comportamento sexual.
    Pesquisadores da Universidade de Minnesota – EUA anunciaram ter comprovado a eficácia e a segurança do primeiro medicamento especialmente desenvolvido para tratar EP. Publicado na revista médica The Lancet, “a substância ativa, a dapoxetina, aumenta de três a quatro vezes a duração de uma relação sexual”. Também é um antidepressivo da família dos inibidores da recaptação da serotonina (SSRI) como os que usamos em tomadas diárias atualmente, mas que será usado minutos antes que o paciente pense em ter um relacionamento sexual.
     Nessa mesma Universidade foram analisados 2,6 mil homens com problemas de EP em grau moderado ou grave ( qual seria esse grau pergunto eu?), que receberam doses de dapoxetina e de placebo. O máximo tempo conseguido com o uso da droga em altas doses – 60mg – foi de 3 min19seg. Os pacientes da pesquisa, americanos, referem er melhorado a percepção do controle da EP. O uso da droga ainda não foi liberado por vários países do mundo.
     Em todos esses estudos, não foi questionado como estava o relacionamento do casal!
    Nossa discussão seria: como vive esse casal, quais os fatores diários externos que poderiam interferir para que o homem tenha uma EP? E a parceria, como poderia estar contribuindo para que isso ocorra ou não melhore? Ainda existiriam muitas questões comportamentais e cognições a serem trabalhadas.
    Toda ajuda no tratamento da EP será bem-vinda, mas esse homem também fará uso constante da medicação que, certamente não será isenta de efeitos colaterais. 
    Muito ainda se tem a estudar sobre o assunto e, devemos lembrar que, essa ejaculação – ato fisiológico – vem de uma máquina complexa, cujo funcionamento depende do biológico, do psicológico e do social, que é um todo, que se denomina SER HUMANO.
Dra. Sylvia Faria Marzano – urologia - terapia sexual individual e de casal. Psicodramatista - Terapeuta EMDR

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sexualidade na Terceira Idade - Programa Revista +

A convite da produção do Programa Revista + , Rede TV + - comandado pela linda Isabelli, Dra. Sylvia Faria Marzano respondeu a questões relacionadas à Sexualidade na Terceira Idade - Como manter acessa a chama do erotismo no relacionamento do casal - Quais as necessidades orgânicas em relação aos hormônios - Como entender que o corpo muda e devemos nos adaptar a essas mudanças, para continuar vivendo com qualidade de vida mesmo com a chegada dos cabelos brancos. Viver plenamente a sua sexualidade

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

EMDR - abordagem psicoterapêutica rápida para tratamento de traumas emocionais

Este informativo tem o propósito de esclarecer os objetivos e os procedimentos da nova abordagem psicoterapêutica denominada EMDRDessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares.

        O método foi desenvolvido nos Estados Unidos no final dos anos 80 pela psicóloga Francine Shapiro, que criou o EMDR Institute na Califórnia. O nome deve-se ao fato de que o método induz a estimulação seletiva dos hemisférios cerebrais, região onde se encontra armazenada a memória das lembranças dolorosas. Atualmente, o EMDR Institute coordena o treinamento de treinadores, supervisores, facilitadores e terapeutas em EMDR em todo o mundo. Somente profissionais psicólogos e médicos com formação e experiência em psicoterapia, podem participar dos treinamentos e obter o credenciamento junto ao Instituto, condição necessária para a prática do EMDR.
         Inicialmente, o método foi utilizado para tratar de traumas emocionais e as seqüelas provocadas por Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Desde então, as possibilidades de intervenção têm-se ampliado. Além de sintomas resultantes de ansiedade generalizada, fobias, síndrome de pânico, depressões, resultados promissores têm sido obtidos no tratamento de doenças psicossomáticas bem como no aprimoramento de desempenho futuro. 

O que é trauma e como saber identificá-lo?
Há város sinais indicadores de trauma emocional.  A passagem por experiências trágicas, tais como a perda real de pessoas queridas ou a ameaça de perda ou o risco de morte, não significam necessariamente que a pessoa venha a desenvolver um trauma. Um bom indício da existência do trauma é a impressão de que a experiência passada insiste em permanecer no presente. Basta à pessoa lembrar-se do evento perturbador, mesmo que sem querer, para que uma emoção marcante, pensamentos negativos e/ou imagens nítidas se intensifiquem. O assunto reluta em virar passado.
Além da experiência traumática, outros sintomas típicos de TEPT são:
·        re-experiência do trauma por meio de lembranças involuntárias, pesadelos ou reações desproporcionais diante de pequenas coisas que façam lembrar o evento; choro fácil e imotivado;
·        evitação persistente de pensamentos, diálogos, sentimentos, locais, pessoas ou situações que façam lembrar o trauma; incapacidade para lembrar-se de detalhes importantes do evento; distanciamento emocional e social de pessoas subjetivamente significativas; sensação de futuro abreviado; e/ou
·        dificuldade para adormecer ou manter-se adormecido, irritabilidade ou explosões de fúria, dificuldade de concentração, hiper-vigilância constante e prontidão contra alguma ameaça real ou imaginária; transtornos alimentares inexplicados; sobressaltos diante de estímulos neutros mínimos.
   
O que está ocorrendo no cérebro?
   Estudos realizados com o auxílio de tomografias de alta precisão sugerem que a experiência traumática é tão forte que altera o funcionamento cerebral. Quando o cérebro é submetido a estresse crônico, o indivíduo perde em qualidade de vida.  Daí a importância de procurar ajuda.

O que acontece com a memória em situação de trauma?
 A memória traumática difere da memória comum. Ao ser indagado sobre o cardápio do almoço de quinta-feira da semana passada, um indivíduo provavelmente responderia: "Não tenho a menor idéia!". Neste caso, a memória dispersou-se no passado. A memória do trauma, contudo, guarda detalhes visuais, às vezes auditivos, às vezes físicos, às vezes emocionais, como se tivesse ocorrido há pouco tempo. O indivíduo pode lembrar-se dos sons ambientes, dos talheres, das bebidas, do sabor dos alimentos. A memória fica, portanto, registrada e congelada no cérebro, principalmente no hemisfério direito, grande responsável por administrar nossas emoções. Por outro lado, as ferramentas que nos permitem conferir novo significado à experiência e deixá-la finalmente no passado se encontram no hemisfério esquerdo, responsável por nossa objetividade e racionalidade.

Como o EMDR funciona?
A focalização de elementos da memória traumática e a estimulação bilateral (visual, auditiva ou tátil) promovem o “diálogo” entre os hemisférios cerebrais e a “metabolização” (reprocessamento) do trauma. Em pouco tempo, o indivíduo tem a sensação de maior distanciamento da perturbação traumática. Espontaneamente começa a reavaliar a experiência a partir de uma perspectiva mais otimista. É comum que após o reprocessamento a lembrança do que antes era uma morte traumática perde seu poder de ferir e a pessoa é capaz de resgatar as lembranças de bons momentos. A partir dessas conquistas, a pessoa organiza-se melhor, passa a desfazer-se de sentimentos de culpa inadequados, consegue planejar um futuro melhor, a se permitir desejar coisas boas para si.

Quais são as contra-indicações do EMDR?
 Devido ao pouco tempo de existência do EMDR e à especificidade do tratamento de traumas emocionais, a intervenção é contra-indicada em pacientes com quadros psicóticos agudos, epilepsia sem controle medicamentoso ou transtorno bipolar.

Quais são os riscos do método?
Devido à possibilidade de a pessoa apresentar emoção intensa durante o reprocessamento, é importante que o estado de saúde física do paciente seja discutido previamente com o terapeuta em caso de dúvida. Pessoas com condição cardíaca debilitada, início de gravidez ou doenças oculares devem avaliar alternativas para maior segurança e conforto.
 
E se não tenho um trauma identificado ou não me lembro de algum, ainda assim posso optar pelo EMDR?Na dúvida entre carregar um peso emocional desnecessário pela vida ou experimentar uma intervenção com EMDR, tente a segunda alternativa.
  
Fonte: www.emdrbrasil.com.br

sábado, 6 de novembro de 2010

17 de novembro - Dia Nacional do Combate ao Câncer de Próstata


CÂNCER DE PROSTATA – O MELHOR REMÉDIO É A PREVENÇÃO

Do tamanho de uma noz, pesando cerca de 20 gramas, a Próstata situa-se na base da bexiga e circunda a uretra. Sua função é produzir uma parte do sêmen. Os problemas da próstata são muito comuns e atingem desde o homem jovem até o mais idoso, predominando a partir dos 45 anos. Hoje, estima-se que um a cada dez homens vá desenvolver o câncer de próstata durante algum momento da vida. Outras estatísticas afirmam que, com 50 anos, um em cada quatro homens apresenta células cancerígenas na próstata. Aos 80 anos, esta relação cresce para 1 em cada 2.

No Brasil, a doença é responsável por sete mil mortes ao ano. De acordo com o Ministério da Saúde, o câncer de próstata é a segunda causa de morbidade entre os homens perdendo apenas para o câncer de pulmão. São poucos os que buscam auxílio médico no momento adequado. No entanto, apesar da chance dos homens desenvolverem câncer de próstata ao longo da vida, somente 3 deles morrerão por causa da doença.

Na maioria das vezes, o responsável pela não realização da prevenção pelos homens é realmente o medo do toque retal, o mito e a fantasia de que perderão a masculinidade. O homem por natureza já tem dificuldade de procurar ajuda. Por exemplo, se forem problemas sexuais, ele demora até 5 anos para contar que está com impotência ou outros problemas de ereção.

No consultório esta resistência é maior entre os idosos. Os mais velhos demoram a procurar ajuda porque acham tudo normal para idade. É normal para eles fazer xixi mais fino e perder um pouco a ereção. Só que em conseqüência disso, eles vão adiando até a hora em que param de urinar ou tem sangramento. Aí vão parar no pronto socorro.

Além do câncer, o homem pode ao longo da vida desenvolver outras doenças comuns na próstata. Facilmente controláveis, desde que o tratamento se inicie com o diagnóstico correto feito, em geral com o auxilio do toque retal e de exames complementares a critério do urologista. “O grande problema é que muitas doenças e, entre elas, principalmente o câncer de próstata não apresentam sintoma algum na fase inicial. No tumor maligno da próstata, o paciente espera pela dor, para procurar um médico e isso permite que o tumor se dissemine. É preciso lutar contra o preconceito de muitos homens e fazer com que busquem a prevenção a fim de evitar seqüelas graves”.

POSSÍVEIS CAUSAS

Não se sabe ao certo o que causa o câncer de próstata, porém sabe-se de alguns fatores, tais como transmissão genética e hormônios (pode ser hereditário em 5 a 10% dos casos, chegando a 8,2% de chance para o indivíduo que tiver a predisposição familiar por descendência de famílias de portadores de Câncer de próstata). A incidência aumenta com a idade, principalmente a partir dos 50 anos. Algumas pesquisas indicam que uma dieta muito rica em gorduras também contribui para a alta incidência deste câncer.

Numa primeira fase, surgem lesões pré-malignas atípicas que não se sabe bem o eventual potencial. A testosterona age incentivando o aumento do tumor. Neste período, o tumor é passível de cura, pois está confinado à próstata. Na fase seguinte, o tumor se dissemina e adquire capacidade de produzir metástases em outros órgãos, sendo em primeiro lugar estão os ossos, os pulmões e o fígado. Se o médico notar qualquer alteração pétrea da próstata, ele deve pedir uma biópsia para confirmar o diagnóstico. Hoje são retirados vários fragmentos, o ideal é que sejam pelo menos 12. Outro exame bastante importante é o Antígeno Prostático Específico, do inglês PSA, que mede uma proteína produzida normalmente pela próstata. Se este estiver aumentado, indica que pode haver algum tumor, quer seja benigno ou maligno. Este exame também é bastante útil para detectar reincidência da doença após o tratamento. Para se determinar a extensão do tumor, pode ser feita uma ultra-sonografia, ou mesmo uma tomografia computadorizada.

EXAME DO TOQUE

É preciso deixar o paciente o mais confortável possível. O exame é rápido (de 5 a 30 segundos), e indolor (usa-se lubrificante). É preciso antes uma boa conversa para tranqüilizá-lo e quebrar os medos e mitos. O médico procura sentir os sulcos da próstata com o dedo. Neste momento dá para perceber o tamanho e a consistência. Geralmente, a próstata deve ter a consistência de fibra elástica. Se houver algo duro, ali no meio, já pode ser um sinal de câncer de próstata. Às vezes, a próstata que não tem câncer pode estar com alguma anormalidade como a Hiperplasia Benigna da Próstata.

Medo Masculino - A primeira coisa que o homem pensa quando sabe que está com câncer de próstata é se vai ficar impotente, a segunda é quantos anos ainda tem para viver e a terceira se causará incontinência urinária.

Menos Mortes - Atualmente o risco de um homem ter esse câncer é da ordem de 15%. A partir de 1997, quando aconteceram campanhas de prevenção e maiores investimentos do meio médico, dos órgãos públicos e da mídia na divulgação da prevenção como melhor método para evitar a letalidade deste câncer, os dados apontaram para uma diminuição nos casos de mortes em conseqüência do câncer de próstata. Os homens começaram a procurar ajuda no estágio inicial da doença quando pode ainda ser operado e curado. A descoberta de um tumor numa fase precoce e em um indivíduo jovem (com menos de 55 anos) possibilita alto grau de cura, variando de 75 a 87% em 10 anos. Recomenda-se que o exame retal seja feito em todos os homens acima de 50 anos, anualmente, como parte do exame médico de rotina. Se houver algum caso confirmado na família, esta prevenção deve ser semestral e iniciar-se entre 40 e 45 anos.

TRATAMENTO

Após o estadiamento do tumor, se ele for localizado só na próstata, não ultrapassar as bordas e não tiver doença à distância, e dependendo do grau de diferenciação do exame da biopsia, a maioria dos médicos opta pela cirurgia radical (prostatectomia radical), pela radioterapia externa, pelo implante de sementes radioativas ou pela observação vigilante sendo que a primeira opção ainda é 50% melhor nos tratamentos do câncer confinado à próstata.

Nos pacientes submetidos à cirurgia radical, com menos de 55 anos, que não tiveram tumor palpável ao toque, pode-se conseguir de 80 a 85% de preservação da potência. Por outro lado, nos pacientes com mais de 65 anos, com doença palpável bilateral, raramente é possível manter-se a potência no pós-operatório. É claro que tudo isso depende da experiência do cirurgião, da idade do paciente e da localização do tumor.

Sylvia Faria Marzano – Médica Urologista e Terapeuta Sexual.

sábado, 2 de outubro de 2010

VIOLÊNCIAS CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Violência – uma relação assimétrica (hierárquica) de poder com fim de dominação, exploração e opressão (Azevedo, 1995).
Violência intra-familiar – VIF  determina um padrão de relacionamento abusivo entre pai, mãe e filho, que leva ao desencontro, à estereotipia e à rigidez no desempenho dos papéis familiares.
Violência doméstica (Azevedo, 1995) – Todo ato ou omissão praticado por pais, parentes ou responsáveis, contra crianças e adolescentes que – sendo capaz de causar dano físico, sexual e/ou psicológico à vítima – implica de um lado uma transgressão do poder/dever de proteção do adulto e, de outro, uma coisificação da infância, isto é, uma negação do direito que a criança e adolescentes têm de serem tratados como sujeitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento.
Adorno, 1993 – Um indivíduo é considerado violento quando ele rompe o pacto social existente. Rompe as regras, senão legítimas, pelo menos consideradas legais e morais numa sociedade, em determinado momento da sua história. A violência é uma ação que envolve a perda da autonomia, de modo que pessoas são privadas de manifestar sua vontade, submetendo-a à vontade e ao desejo de outros. Ela não só se manifesta nas relações entre classes sociais, mas também nas relações interpessoais.
O abusador tanto da criança quanto do adolescente utiliza-se da violência como forma de manifestação das relações de dominação, expressando claramente uma negação da liberdade do outro, da igualdade e da vida.
A VIF contra crianças e adolescentes mais frequentemente revela-se em situações de violência física, sexual, psicológica (negligência/abandono).
1-   Violência física: utilização de força física excessiva e inapropriada.
2-   Negligência/abandono/psicológico/emocional: fracasso dos pais/responsáveis na realização adequada de seus deveres como pais, ou seja, no suprimento das necessidades básicas da criança e do adolescente (Duarte e Arboleda, 1997). Definem-se tanto pela ausência de uma atenção positiva, de uma disponibilidade emocional, de interesse doas pais/responsáveis pela criança/adolescente, como por: - atitude de aterrorizar a criança; comportamentos de isolamento social; - atitudes de corrupção; -posturas de exploração.
3- Violência sexual: contatos entre crianças/adolescentes e um adulto (familiar ou não) nos quais se utiliza a criança/adolescente como objeto gratificante para as necessidades ou desejos sexuais do adulto, causando danos àqueles, em geral interferindo em seu desenvolvimento.

Fenômeno sempre presente na sociedade embora bastante velada. Inclui (Azevedo,
1988) ocorrências intra e extra-familiares, com atos classificados em 3 grupos:
Não envolvendo contato físico: abuso verbal, telefonemas obscenos, vídeos/filmes
obscenos, voyeurismo. 
Envolvendo contato físico: atos físico-genitais: que incluem passar a mão, coito (ou tentativa de), manipulação dos genitais, contato oral-genital e uso sexual do ânus; pornografia, prostituição infantil (ou seja, exploração sexual da criança para fins econômicos), e, incesto (enquanto atividade sexual entre ao criança e seus parentes mais próximos, de sangue ou por afinidade). 
Envolvendo contato físico com violência: estupro, brutalização e assassinato (crianças emasculadas) – no qual estão presentes a força, ameaça e intimidação.

CONSEQUÊNCIAS – são variadas e dependem: da idade da pessoa agredida e da que agride;
do tipo de relação entre eles; da personalidade da vítima; da duração e da freqüência da
agressão; do tipo e da gravidade do ato; da reação do ambiente.
     Consequências a curto prazo:
1-   Problemas físicos;
2-   Problemas no desenvolvimento das relações de apego e afeto: - desenvolve reações de evitação e resistência ao apego; problemas de afeto como depressão e diminuição da auto-estima; distúrbios de conduta (agressividade).
3-   Alterações no desenvolvimento cognitivo, na linguagem e no rendimento escolar: - rebaixamento da auto-percepção sobre suas capacidades; má-percepção de si próprio; problemas na compreensão e na aceitação das emoções do outro.
Consequências a longo prazo:
    Sequelas físicas. Pais abusadores mais tarde. Conduta delinquencial e comportamentos suicidas na adolescência. Conduta criminal violenta mais tarde.
Efeitos da Violência sexual (Lopez Sanchez, 1991):
- Efeitos imediatos (2 primeiros anos): 60 a 80% apresentam algum distúrbio ou alteração.
1- Efeitos físicos mais freqüentes: distúrbios do sono – 17 a 20%; mudanças de hábitos alimentares – 5 a 20%; gravidez – 1 a 11%; DSTs
2- Efeitos psicológicos mais habituais: medo – 40 a 80%; hostilidade diante do sexo agressor – 13 a 50%; culpa – 25 a 64%; depressão – 25%; baixa auto-estima – 58%; conduta sexual anormal: masturbação compulsiva, exibicionismo – 27 a 40%; angústia, agressões, condutas anti-sociais, sentimentos de estigmação.
3-   Efeitos sociais mais freqüentes: dificuldades escolares,  discussões familiares frequentes, delinquência, prostituição
- Efeitos a longo prazoFobias, pânicos, personalidade anti-social; Depressão com idéias de suicídio, tentativa ou suicídio levado a cabo; Cronificação dos sentimentos de estigmatização; Isolamento; Ansiedade, tensão e dificuldades alimentares; Dificuldades de relacionamento com pessoas do sexo do agressor; Re-edição da violência, re-vitimização; Distúrbios sexuais; Drogadição e alcoolismo
Características do abusador(a):Personalidade anti-social, paranóia, impulsividade, baixa tolerância à frustração, sentimentos de inferioridade ou de insuficiência, infância violenta, estresse, álcool ou drogas.
Existem quatro pré-condições que levam um indivíduo a cometer o abuso sexual infantil: Motivação: é necessário sentir o desejo de manter relações sexuais com uma criança – pedofilia.Superação das barreiras internas: superar as inibições internas que bloqueiam seu desejo de se relacionar sexualmente com crianças (álcool, psicose, senilidade ou fracasso na repressão do incesto na dinâmica familiar).  Superação das barreiras externas: fatores individuais mais importantes que permitem ao adulto superar barreiras externas são a ausência, enfermidade ou distanciamento da mãe, ou ela estar dominada, falta de vigilância, condições de dormitórios comuns entre crianças e pais. Superação da possível resistência de crianças e adolescentes: capacidade que a criança/adolescente têm de evitar ou resistir à violência/abuso sexual – Insegurança emocional; Desconhecimento do tema; Situação de confiança entre abusador e criança (pai biológico); Coerção.

Sylvia Faria Marzano

Referência: VIOLÊNCIAS CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES -Ferrari e Vecina